A resistência à insulina é uma alteração metabólica frequentemente associada à Síndrome Ovariana Metabólica Poliendócrina (SOMP). Isto significa que as células do organismo respondem menos à ação da insulina, levando o pâncreas a produzir maiores quantidades desta hormona para ajudar a manter os níveis de glicose no sangue dentro dos valores adequados.
É importante reforçar que ter SOMP não significa necessariamente ter resistência à insulina, mas esta alteração é mais frequente em mulheres com a síndrome e pode contribuir para algumas das suas manifestações.
Porque surge a resistência à insulina?
A resistência à insulina não tem uma única causa. Pode resultar da combinação de vários fatores, incluindo predisposição genética, alterações na composição corporal, menor atividade física, qualidade do sono e outros fatores metabólicos.
Na SOMP, existe uma maior predisposição para alterações na ação da insulina, podendo estar presente mesmo em mulheres sem excesso de peso.
Além disso, a alimentação e o estilo de vida podem influenciar a sensibilidade à insulina. Uma alimentação desequilibrada, particularmente quando associada a um baixo consumo de fibra, pouca atividade física e outros fatores de estilo de vida, pode contribuir para um pior controlo metabólico.
E de que forma é que isto interfere na SOMP?
Quando existe resistência à insulina, o organismo pode compensar produzindo mais insulina. Este aumento dos níveis de insulina no sangue pode estimular os ovários a produzirem mais androgénios, as chamadas “hormonas sexuais masculinas”.
Este aumento da ação dos androgénios pode contribuir para algumas manifestações da SOMP, como:
- Ciclos menstruais irregulares;
- Ausência ou irregularidade da ovulação;
- Dificuldade em engravidar;
- Aumento de pelos (hirsutismo);
- Acne;
- Queda de cabelo.
Assim, existe uma relação estreita entre metabolismo, insulina e hormonas na SOMP. Por isso, o acompanhamento desta síndrome não deve centrar-se apenas no ciclo menstrual ou nos sintomas hormonais: a saúde metabólica também merece atenção.
E a alimentação?
A alimentação pode ser uma importante ferramenta para melhorar a saúde metabólica e a sensibilidade à insulina, mas não é necessário eliminar o açúcar ou cortar os hidratos de carbono.
Uma alimentação equilibrada, adequada às necessidades individuais e rica em alimentos como legumes, fruta, leguminosas, cereais integrais, frutos oleaginosos e outras fontes de fibra, associada a fontes adequadas de proteína e gorduras de qualidade, pode contribuir para uma melhor resposta à insulina.
Na SOMP, mais do que procurar uma alimentação “perfeita”, o objetivo deve ser construir uma forma de comer sustentável, equilibrada e adaptada a cada mulher.
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