Suplementos na gravidez: é mesmo preciso tomar?

É comum surgir a dúvida: será que uma alimentação equilibrada chega para suprir todas as necessidades nutricionais durante a gravidez?
A nossa nutricionista especializada em saúde materna, Débora Lopes, explica porque é que, mesmo numa gravidez saudável, a suplementação tem um papel fundamental.

Porque é que a alimentação, por si só, nem sempre é suficiente?

Mesmo em grávidas saudáveis, sem qualquer défice nutricional diagnosticado, recomendamos a suplementação de alguns nutrientes referidos em cima. Isto acontece porque, após muita investigação, concluiu-se que a alimentação equilibrada sozinha não consegue garantir, as necessidades aumentadas de alguns nutrientes essenciais, nomeadamente ácido fólico, iodo e, em muitos casos, colina.

Ácido fólico (folato): essencial desde antes da gravidez

O folato, mais conhecido como ácido fólico, é indispensável para o correto desenvolvimento do tubo neural do bebé, sobretudo nas primeiras semanas de gestação. E o seu défice está associado a malformações congénitas graves.

A realidade é que a maioria das mulheres não consome alimentos ricos em folato em quantidades suficientes, mesmo com uma alimentação considerada saudável. Por esse motivo, a suplementação é recomendada desde a fase de pré-conceção.

Iodo: crucial para o desenvolvimento neurológico

O iodo é um nutriente essencial para o desenvolvimento do sistema nervoso e cognitivo do bebé.
Atualmente, não conseguimos garantir uma ingestão adequada apenas através da alimentação, uma vez que o teor de iodo dos alimentos depende de muito fatores.

Por isso, em Portugal, a suplementação com iodo é recomendada durante a gravidez, exceto casos de doença na tiroide.

Colina: um nutriente muitas vezes esquecido

A colina desempenha um papel semelhante ao do ácido fólico no desenvolvimento cerebral do bebé.
No entanto, este nutriente encontra-se sobretudo em ovos, e se estiveres grávida e não consumires ovos com regularidade, é muito difícil atingir as quantidades recomendadas apenas através da alimentação.

Assim, em muitos casos, a suplementação de colina torna-se necessária.

E quanto a outros nutrientes?

Para além destes suplementos base, é essencial acompanhar as análises clínicas ao longo da gravidez.
Défices de ferro e vitamina D são muito comuns e, portanto, um multivitamínico para grávidas não é suficiente, sendo necessária suplementação específica e individualizada.

Conclusão

Em conclusão:

  • Todas as grávidas devem suplementar ácido fólico e iodo;
  • Outros suplementos devem ser avaliados com base nas análises e na alimentação;
  • A suplementação não substitui uma alimentação equilibrada, mas complementa-a.

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